Título do trabalho/material
Museus e educação: mundos comunitários das artes
Tipo de Material
Data de Publicação
2021-02-04
Resumo / descrição
Mediação: Professora Rita Lages
Data: 04/02/2021- 9h – 12h
Ivan Augusto Laranjeira
Título: Museu Mafalala - desafios na formação de público e consciência artística
Resumo: Mafalala é um dos bairros mais antigos de Maputo, a capital de Moçambique. Um espaço multicultural e que incorpora no seu DNA o elemento cosmopolita desta cidade. Nos últimos 100 anos de história de Moçambique, a Mafalala e de uma maneira geral os bairros periféricos de Maputo, nomeadamente: Chamanculo, Xipamanine e Minkadjuine, tiveram um papel importante na criação de uma cultura e arte urbana em Maputo (então Lourenço Marques). Elemento que se traduziu num instrumento de resistência e consciencialização política na luta pela independência do colonialismo português. Destacando-se aqui movimentos literários pioneiros que se traduzem na poesia de José Craveirinha, Noémia de Sousa, Rui de Noronha e os irmãos Albasini. Bem como o surgimento da MARRABENTA, o estilo de música mais popular no país, que em larga medida se associa a identidade nacional. Este processo estendeu-se ao desporto e a política contribuindo a Mafalala para o surgimento de nomes como Eusébio da Silva Ferreira, Ricardo Chibanga, Samora Machel e Joaquim Chissano. Se por um lado existe esta riqueza patrimonial e histórica por outro lado a Mafalala caracteriza-se também como uma “favela” sujeita a todas as patologias sociais – desemprego, analfabetismo, entre outros. Simultaneamente verificamos a ausência de documentação e pesquisa da memória referente a este espaço, de inventariação sobre o património cultural e a deterioração acelerada do mesmo. Em 2009, a IVERCA, baseada neste legado histórico inicia um processo de resgate da memória, promoção da história e de exploração do património cultural para fins de sustento da comunidade. Os marcos principais dessa iniciativa são: Mafalala Walking Tour, Festival Mafalala, o Museu Mafalala, Mafalala Artivismo e acima de tudo o programa de serviços educativos do museu.
Marcelo Murta
Título: Museologia Social e educação: articulação entre o debate conceitual nas organizações internacionais e as práticas comunitárias
Resumo: Com o fim da II Guerra Mundial, a criação da UNESCO e do ICOM direcionou o debate sobre o papel dos museus e das instituições culturais para o exercício de manutenção da paz. Os encontros e seminários nas décadas seguintes apresentaram discussões associadas a cada contexto, e se em 1958 a Declaração do Rio de Janeiro destacou o papel educativo e transformador dos museus, em 1972, a Mesa de Santiago evidenciou a sua função social. Todos esses processos basearam-se não somente em aspectos teóricos, mas em experiências de museus comunitários em diversas partes do mundo. A emergência da Nova Museologia, institucionalizada na criação do MINOM, trouxe para o cerne das organizações internacionais os debates sobre os museus e o desenvolvimento local, e nos anos 2000 há uma clara percepção dessa inserção institucional do movimento, a exemplo da Declaração de Salvador (2007), do Programa Ibermuseus e da Recomendação da UNESCO de 2015. A discussão aqui proposta discutirá as conexões percebidas entre os debates institucionais e as experiências práticas, a partir de experiências de Museologia Social na Ibero-América e de sua inserção nas cartas e normativas internacionais.
Wagner Leite Viana
Título: Exercícios de curadoria educativa/ Poéticas da intimidade por entre macroestruturas históricas e micronarrativas de si.
Resumo: cruzar microestruturas particulares com macroestruturas históricas, no campo das artes e da educação perpassa repensar os currículos acadêmicos como trajetórias de vida, curriculum vitae. A universidade está habituada aos estudos que tem por tema as populações negras e indígenas em terceira pessoa, é necessário uma revisão do negro-tema ao negro-vida do sociólogo Guerreiro Ramos e suas implicações sobre os saberes que caracterizam nosso povo em relação aos saberes elaborados sobre ele (Joel Rufino dos Santos. O saber do negro), esta postura instaura novos lugares de produção de conhecimento na produção das poéticas visuais. São diversas as tramas que atravessam a construção de conceitos, entre a arte e a educação por meio de condutas criativas caracterizadas pela aderência do artista a seu momento e tradução em termos operativos poéticos. O campo da educação como lugar de curadoria do saber é compreendido nas mais diversas esferas tanto no que diz respeito à escolarização, quanto ao que faz referência aos processos de aprendizagem que permeiam as práticas artísticas não-escolarizadas. Parte-se da ideia de aprendizagem como ferramentas relacionais que instauram práticas de diálogo que atravessam a formação individual numa conexão com coletividades. A relação entre Arte e educação é ponto de partida para uma reflexão sobre os modos de construções e práticas de saberes na construção de poéticas educativas pós-coloniais, decolonais e contra-coloniais.
Canal
Miniatura
Duração
3 hora(s), 32 minuto(s), 45 segundo(s)
